MEIO AMBIENTE

Tanto se fala mas pouco se faz em matéria de preservação ambiental. O planeta sofre com o crescimento ilimitado das necessidades humanas, não resta dúvida, mas padece ainda mais com a desorganização dos meios de produção e distribuição de produtos. Na verdade, a Terra é capaz de absorver os impactos causados pela presença do ser humano, como é capaz de alimentar todos que hoje caminham sob o sol. O problema está na ganância de poucos em detrimento de muitos.

Fala-se no perigo de fome generalizada, por exemplo, principalmente em relação aos africanos mais pobres, enquanto toneladas de frutas apodrecem nos países tropicais. Em vez de gastos astronômicos com armamentos, com viagens espaciais, espionagem de vizinhos etc., poderiam os mais ricos “desperdiçar” melhor o dinheiro e, ainda que com imenso prejuízos, ajudar a transportar o que se descarta e a entregar aos que necessitam.

O problema maior não está na quantidade insuficiente de alimentos para todos e nem no crescimento desordenado da população mundial, está na ganância dos que muito têm e pouco partilham. O Brasil desperdiça tantos grãos no transporte por estradas ruins, armazenamento inadequado e extravios criminosos, que poderia saciar a fome de todo o continente africano. Acredite, isso não é exagero.

Na seara ambiental, igualmente, ouvimos nos noticiários diários o apelo que vem dos países ditos ricos, mas não vemos uma política efetivamente comprometida com a diminuição do crescimento industrial em detrimento da preservação da natureza. O governo norte-americano, por exemplo, constantemente foca sua ira ecológica contra o Brasil, propaga a internacionalização da Amazônia e dos nossos principais mananciais, porém não adere aos protocolos ambientais que propõem a redução do crescimento mundial. Querem que nós paguemos a conta pelos desmandos deles.

Não estamos no fim dos tempos e nem se avizinha uma catástrofe capaz de varrer a humanidade da Terra. Tudo isso é uma grande bobagem. Desastre mesmo é a opressão dos que detém imensas porções mas sonegam migalhas aos famintos de alimentos, informação, tecnologia etc. A grande solução para os problemas do planeta pode ser encontrada na palavrinha mágica chamada SOLIDARIEDADE. Quando os homens aprenderem seu significado, praticando o amor coletivo, a ajuda será mútua e os problemas maiores do mundo serão resolvidos. Ninguém mais passará fome, o progresso não será uma crime ecológico e os imprevidentes sentirão como desnecessárias as guerras e outros conflitos primitivos.

O planeta Terra não é mais uma aldeia, passou a ser uma casa. Se o cozinheiro se abstêm de preparar a comida, logo a crise da cozinha se espalhará pelos demais cômodos. O pessoal dos quartos se inquietará, pois ninguém dorme com fome; quem quiser assistir televisão na sala ficará privado do silêncio, ante as batidas de protesto em penelas e outros utensílios; banho não será mais possível, uma vez que a água, inútil no preparo dos alimentos, será imediatamente cortada, para que todos padeçam do mal comum.

Quando o governo norte-americano dá o calote ambiental e manda a conta dos seus desmandos para ao chamado “terceiro mundo”, quando os países industrialmente mais avançados deixam milhões de crianças morrer de fome planeta afora, quando a prioridade passa a ser armamentos sofisticados e pesquisas bélicas, todos esses imprevidentes moradores do albergue terráqueo se esquecem que, mais dia ou menos dia, a casa cai.

ADRIANO CÉSAR CURADO

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