Terroristas

Ao olhar para a tela do meu computador e ver o magnífico edifício do hotel na Índia que arde em fogo, num atentado terrorista que já custou uma centena de mortos, confesso que não entendo. Não entendo as razões da existência dos terroristas. Num mundo como este, onde as catástrofes naturais, como a de Santa Catarina, já exigem esforços imensos de ajuda aos necessitados, onde crianças morrem diariamente de desnutrição nos países a que chamam em desenvolvimento, diante disso tudo, ainda há os terroristas. Não entendo, de verdade, que ódio macabro é esse, capaz de matar sem remorsos qualquer um que esteja por perto, ainda que nada tenha com a causa que defendam esses senhores da razão absoluta. No entendo o motivo de tamanha fúria contra a humanidade, como se fôssemos, nós, que não comungamos nos preceitos de suas seitas, culpados por não ter culpa.

O terrorista é aquele fundamentalista fanático que acha ser sua crença religiosa a salvação do mundo, pois apenas ele está com a razão e o resto deve ser arquivado no ficheiro “infiéis”. Até aqui, tudo bem, pois o restante do mundo está por demais preocupado com os problemas do cotidiano, para perder tempo na interpretação de crenças alheias. Mas o fanatismo não tem limites, e os seguidores de seitas tais entendem, não se sabe de onde tiraram isso, que quem não crê no que creem deve ser destruído. Por esse motivo saem por aí com toneladas de explosivos e procuram detoná-los preferencialmente onde haja maior quantidade de pessoas.

Penso cá com meus botões que aconteceria ao mundo se todos os credos religiosos, por alguma razão de ser, de repente resolvesse que sua crença é a única possível e decidissem matar os infiéis. Por certo que não sobraria ninguém na Terra, pois, de uma forma ou de outra, sempre seremos infiéis para o crente ao lado. E se não cremos em nada, aí então é que devemos ser exterminados.

Coisa triste esse atraso humano. Quando pensamos que uma nova era se abre no horizonte e a razão finalmente começará a se sobrepor, ainda se vê fatos lamentáveis no mundo, como esse ataque à Índia. Isso me leva à constatação de que ainda temos muito o que caminhar nesta longa jornada evolutiva, até que possamos finalmente ser despojados de nós mesmos.


by Adriano César Curado

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