Como será o amanhã?

Como será o nosso amanhã? Penso sempre nisso e tenho certo receio. Nossa humanidade tinha tudo para navegar hoje em águas mais serenas, com solidariedade e compreensão, cada povo no seu devido nível de adiantamento e todos em constante respeito quanto às diferenças mútuas. Somente há fome no mundo porque ele é gerido pela ganância de muitos em detrimento às necessidades de poucos. Se tomarmos por base a quantidade de frutas que apodrecem todos os anos nos países tropicais ou mesmo os grãos que caem dos caminhões pelas estradas brasileiras, daria para alimentar muitas vezes a humanidade toda. Acredite, isso não é um exagero. É realidade pura. Aí você me pergunta: por que não distribuem esses alimentos? E eu lhe respondo que é porque não há solidariedade entre as nações.

Pense em quanto se gasta todos os anos em armamento. Agora imagine se pelo menos metade desse dinheiro se convertesse em alimentos, remédios, roupas, água potável, saneamento básico etc. e fosse distribuído nos paupérrimos países africanos. Pense no lucro astronômico que os bancos mundo afora auferem e nas cifras inimagináveis para nós mortais dos ganhos das empresas multinacionais; e converta pelo menos 1% disso tudo em educação, cultura e lazer para as crianças que agora mendigam nas ruas de todas as capitais do planeta.

Não é difícil viver e conviver com o próximo, desde que todos respeitem os limites alheios e se dignem a estender as mãos nos momentos de aflição. Nenhum de nós está imune às mutações do mundo. Hoje somos milionários mas amanhã poderemos não ser mais. Veja o exemplo dessa crise econômica mundial, que afunda economias antes sólidas e levam à falência instituições antes intocáveis que se achavam donas do ouro do mundo.

O século XXI mal começou e já somos bombardeados por notícias arrepiantes, que achávamos já extirpadas na face da terra. São as manifestações incompreensíveis do radicalismo, quer social, religioso, étnico, sexual etc.; são as doenças novas que aparecem e as velhas que ressurgem; são a permanência de práticas que lembram o tempo em que habitávamos as cavernas, como o estupro, o canibalismo, o genocídio etc.

Não somos ainda membros da humanidade que deveríamos ser. Ainda falta bastante para que possamos respirar aliviados e dizer aos nossos filhos: “tomem de herança esta Terra abençoada”. Ainda vai longe esse dia. Enquanto isso não acontece, pelo menos que façamos nossa parte, no labor cotidiano por melhores tempos futuros. Basta para isso tratar com respeito o vizinho, portar-se como criatura civilizada no trânsito, saber esperar sua vez na fila, não levar vantagem indevida sobre os mais fracos e, principalmente, praticar todas as nuances da solidariedade.

Sei que não é possível a nenhum de nós mudar a realidade do mundo. Ele é por enquanto assim e isso nos basta. Mas podemos alterar o conteúdo do nosso universo interior, com uma reflexão profunda dos limites da nossa contribuição para a alteração do destino da humanidade. Não podemos continuar desta forma, em rota de colisão conosco mesmo, pois do contrário não teremos mais futuro.

Eu repito a pergunta: como será o amanhã?

by Adriano César Curado

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