Tupiniquins

Por mais que tentemos ser civilizados e esquecer o nosso horroroso passado de democracia anã, não tem jeito, ainda somos de fato um país de tupiniquins. E isso pode ser facilmente comprovado pelo novo modismo que vem do Congresso Nacional brasileiro.



De tempos em tempos reaparecem certas notícias inquietantes vindas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, fatos que custamos crer seja verdade, pois nos traz de volta à lembrança os ajustes de politicagens da época dos coronéis. A discussão do momentos é a busca do terceiro mandato para os chefes do Executivo, o fim da reeleição e a extensão do atual mandato para cinco anos.


Se formos comparar nossa democracia com a dos Estados Unidos, veremos que somos apenas um esboço, pois aquele país elege há mais de duzentos anos seus governantes de quatro e quatro anos, sem nunca haver sofrido sequer um golpe de Estado que depusesse o administrador da vez.



No nosso caso, no entanto, estamos dependentes, como sempre estivemos, do modismo do momento, que no presente caso é a perpetuação do presidente Lula na Presidência da República. Os governistas já sabem que Lula bate recordes de popularidade, mas é incapaz de transferir seu carisma para um sucessor, então fazem de tudo para esticar um pouco mais sua permanência à frente do Executivo nacional. O resultado disso é que não temos, como nunca tivemos, segurança jurídica neste país, pois tudo muda ao sabor de interesses escusos, quase sempre contrários aos do povo.


Não faz muito tempo e o Brasil se via afogado pelos estreitos limites impostos pelo militares, no longo período em que estiveram no poder. Então finalmente brilhou o sol da liberdade, num novo tempo de namoro contínuo com a democracia, e veio também a atual Constituição Federal, que muitos chamam de cidadã. Não obstante essas conquistas recentes do povo brasileiro, jamais nos esqueçamos que ainda ontem dormíamos assustados com a marcha das botas do militares. A liberdade que hoje desfrutamos deve ser usada cimentar as bases desta vacilante democracia em que vivemos e não para colocá-la constantemente à prova.


Não há justificativas plausíveis para se alterar o tempo dos mandatos que aí estão. Que diferença fará ao país se o presidente ficará cinco ou seis anos? Qual a necessidade de acabar com a reeleição? Para que criar mecanismos para a perpetuação de um governante? Somo ou não somos um país de tupiniquins?


by Adriano César Curado

Um comentário:

Anônimo disse...

Vc tá certo, ó grande escritor brasileiro, os tupiniquins tão espalhados por todos os lados, no Congresso, nos tribunais, nos igrejas, nos puteiros, pra todo lado tem gente que não presta.

Arnaldo Soares Bezerra Nunes

arnaldinhobenun@bol.com.br