O Golpe Militar de 64



      Na contramão do atual momento político vivido pelo Brasil, que tem todos os requisitos para dar um salto de desenvolvimento e vê surgir um futuro melhor no horizonte, os Clubes Militar, Naval e de Aeronáutica divulgaram um manifesto conjunto em lembrança dos 47 anos do Golpe de 1964-1985, que depôs o presidente João Goulart.

     O Exército do Brasil, numa sábia decisão de esquecer esse momento conturbado da história nacional, retirou a comemoração do 31 de março de 1964 (data do Golpe) de seu calendário oficial, onde podem constar muitos feitos grandiosos de seus integrantes no passado.

     A nota dos Clubes diz que relembrar os acontecimentos de 1964, "sem ódio ou rancor, é, no mínimo, uma obrigação de honra". "Os clubes militares (...) homenageiam, nesta data, os integrantes das Forças Armada da época que, com sua pronta ação, impediram a tomada do poder e sua entrega a um regime ditatorial indesejado pela nação brasileira". O documento é assinado pelo general Renato Cesar Tibau da Costa, pelo vice-almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral e pelo tenente brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista. Diz ainda que "as Forças Armadas insurgiram-se contra um estado de coisas patrocinado e incentivado pelo governo, no qual se identificava o inequívoco propósito de estabelecer no País um regime ditatorial comunista, atrelado a ideologias antagônicas ao modo de ser do brasileiro".

     Essa nota revela que a Argentina está corretíssima em processar e julgar todos os envolvidos em seu golpe militar. O Brasil, no entanto, optou pela anistia ampla, geral e irrestrita, ao preferir não dar publicidade aos casos, embora milhares de pessoas continuem desaparecidas até hoje.

     É preciso apurar o que realmente aconteceu no Brasil, quais as condutas dos envolvidos dos dois lados, para assim jogar uma pá de cal nessa parte triste da nossa história. Enquanto continuarmos a fazer de conta de que tudo está esquecido, os brasileiros sempre se perguntarão o que realmente aconteceu naquele período.

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