Soluções instantâneas mas ineficientes

     É perfeitamente natural que a sociedade pressione seus governantes toda vez que, massivamente divulgado na imprensa, um crime bárbaro como o da escola de Realengo, no Rio, cause grande comoção social. É através das tragédias que uma sociedade evolui e encontra caminhos para evitar fatos semelhantes no futuro.

      Acontece que o Brasil carece de bons gestores públicos e a inspiração anda longe do Congresso Nacional. No fundo, pouca gente na alta cúpula política tem plena consciência do cargo que ocupa. Então, desesperados ante o clamor público e forçados a mostrar algum serviço que justifique o cargo que ocupam, aparecem nossos políticos com soluções esdrúxulas.

      Esse novo plebiscito sobre o desarmamento é um exemplo claro de medida inútil, que é pontual, popularesco. Não vai adiantar nada por vários motivos. Primeiro, porque bandido não anda com arma registrada, ele geralmente porta uma com a numeração raspada. Segundo, porque proibir comércio de armas no Brasil não dá em nada, já que nossas amplas fronteiras, e isso é público e notório, são facilidades para os contrabandistas. Terceiro, porque quem quer matar alguém não se inibe pela ausência de uma arma de fogo, e pode fazê-lo por outros meios. Sem contar que esse mesmo tema já foi analisado num referendo realizado em 23.10.2005 e seu resultado não influenciou em nada na vida do povo.

      O triste episódio do atirador de Realengo é um caso isolado, pois trata-se de doença psiquiátrica, com sintomas fartamente divulgados pela imprensa. Mas independente disso, se realmente querem nossos políticos fazer prosperar o país, podem começar com melhores condições de estudo e saúde para a população, melhoria real da qualidade de vida, transparência da aplicação do dinheiro público, combate efetivo à corrupção etc. Se desejam mesmo que criminoso fique na cadeira, como vociferam por aí diante dos microfones, devem parar com essa mania de querer aumentar penas e diminuir a maioridade penal, e começar com a aceleração da reforma do nosso processo penal, por exemplo.

      Infelizmente, no entanto, somos ainda um país carente de bons políticos, gente de fato preocupada com a melhoria do padrão de vida dos que os elegeram. E eu digo o que acontecerá. Vão convocar esse plebiscito, que custará milhões à nação e obrigará boa parte do país a perder algumas horas no domingo, não adiantará nada, pelas razão acima expostas, os meninos de Realengo logo serão esquecidos, e tudo continuará como dantes.

2 comentários:

Silvana Meireles disse...

A responsabilidade por esses homens fracos lá nas grimpas do poder é toda nossa, os eleitores inconsequentes que os colocaram ali. Por isso não adianta reclamar quando uma decisão sem sentido, como essa do desarmamento, vem bater à nossa porta.

Fernanda Barbosa de Oliveira disse...

Essa soluções solúveis só servem para desviar a atenção da população sobre a ação dos nossos políticos. Enquanto se discute prebliscito e outras bobagens, as negociatas correm soltas por aí.