A cidade insone



     No entardecer, enquanto pessoas correm apressadas para aproveitar o restinho do dia, o sol derrama luz alaranjada sobre os imensos prédios da cidade. Ninguém vêm o espetáculo da luz neste momento, pois são altos demais os tais prédios e os moradores estão distraídos com o cotidiano. Mas aos poucos a luz se apaga, o céu se cobre de chumbo e a noite cai sobre a cidade – tudo isso é inútil, pois na cidade não escurece jamais, têm luzes artificiais suficientes.

      Amanhã bem cedo recomeçam as correrias de sempre, as ilusões de todos os momentos, a pressa que leva a poucos lugares. Porém, agora, a cidade se prepara para adormecer e aquietar – que nada, nos bares, boares e motéis têm movimento madrugada inteira! A cidade nunca adormece, reveza-se em turnos insones.

Adriano César Curado

Um comentário:

blog. da Tereza Maria disse...

Ola Adriano
Que texto bonito
Infeliz mente a maioria da humanidade não sabe admirar o que há de mais belo no universo. A grande tela chamada natureza, pintada por Deus
Que em cada por de sol seu coração pulse mais forte e seu olhar brilhe com mais intensidade.
Saudades suas...
Um abraço Poético!