Minha Infância



     Observo as crianças de hoje, criadas nos cubículos dos apartamentos, não convivem com a natureza e só brincam em espaços de concreto.

      Que tristeza.

      Lembrei-me hoje da minha infância na fazenda de vovô. Quem quisesse beber leite tirado ali no curral, espumoso e quentinho, tinha que levantar cedo e se dispor a enfrentar o frio. Em época de moagem de cana, aquele engenho gemedor, puxado por oito juntas de bois, triturava a cana e a garapa vinha para o copo da gente. A meninada bebia com satisfação, mas com cautela, pois vovó dizia que dava pneumonia.

      Naqueles bons tempos, as férias começavam depois do Carnaval e a gente podia aproveitar a fazenda ao máximo. Vovô e a fazenda só existem agora na minha mente, mas a qualquer momento fecho os olhos e revejo tudo, como se de um filme colorido se tratasse.

      E aquelas crianças que crescem no concreto, que história recordarão?

Adriano César Curado

4 comentários:

blog. da Tereza Maria disse...

Olá
Bela infância meu querido
Me emocionei ao ler porquê me senti criança outra vez!
Um abraço Poético

Cristiano Marcell disse...

Uma história fria e sem vida, desprovida do verde em seu teor!

Belo texto!
Muita paz!

Alê disse...

Adriano,

Meus joelhos, ou melhor, as cicatrizes dos meus joelhos, são a prova da minha intensa, e maravilhosa infância,


E confesso: que saudades!


Bjkas

Solange Maia disse...

Adriano,

a gente não parte nunca dessas memórias doces...

com as crianças de hoje temos que inventar, criar, sorrir, aumentar a capacidade do olhar, imaginar, experimentar...ampliar, ampliar... e, com amor, tenho certeza que elas terão o que recordar...

beijo grande