O Brasil nas olimpíadas



     O post sobre a ginástica gerou bastante debate e me motivou a seguir com as reflexões sobre a realidade esportiva brasileira. Para exemplificar podemos falar do judô e comparar com a base do outros esportes no Brasil e dar minha opinião sobre as constantes cobranças por uma preparação psicológica para nossos atletas.

     Para mim, assim como para muitos de vocês, nossos atletas chegam frágeis a uma disputa difícil como os Jogos Olímpicos. É difícil porque é muito concorrido e também porque acontece a cada 4 anos e concentra toda a atenção da mídia nesse período, especialmente pouco antes e durante os 15 dias de competição. Para um atleta brasileiro, se sair bem na Olimpíada aumenta em muito as chances de patrocínio individual e apoio para a modalidade. E muitos atletas tem origem humilde, o que interfere na estrutura do atleta e aumenta o drama para quem assiste.

     Há muitas histórias de infâncias pobres, superação, "paitrocínio" ou apoios fortuitos de empresários e políticos. E isso pode passar uma imagem que somos coitadinhos mesmo, que tudo para nós é no sofrimento e que, quando a decisão chega, "amarelamos". O diagnóstico é só um: preparação psicológica.

     Mas vejamos por um outro lado. A melhor preparação psicológica é feita pelos americanos, russos e chineses. Posso garantir. Sabe por que? Porque nesses países há muitos atletas praticando nos mais diferentes níveis competitivos, em muitas modalidades. Citado o atletismo dos EUA, um representante americano para se classificar pra as Olimpíadas precisa passar por eliminatórias quase mais difíceis do que o próprio torneio olímpico. A competitividade para os atletas americanos faz parte da rotina desde as competições escolares, passando pelo esporte universitário e por aí vai.

     Ganhar e perder em competições difíceis faz parte da rotina desses atletas. Um pouco parecido com a realidade do judô brasileiro. Guardadas as devidas proporções, a disputa em cada categoria é forte no nosso judô. Lógico que temos que guardar as proporções porque, mesmo sendo um esporte popular entre os jovens — há muitas academias de judô no Brasil — não temos tantas competições fortes em todas as regiões do Brasil. Mesmo assim, com poucas competições, o judô é nosso melhor exemplo.

     Com a disputa interna entre os judocas para classificar somente um por categoria, nossos lutadores são mais experimentados nas derrotas e vitórias. E esta é a melhor preparação psicológica que pode ser feita. Muito melhor do que recorrer a terapias e dinâmicas motivacionais, etc. Como se aprende, em esportes individuais, a ter confiança em uma competição difícil com a Olimpíada? Disputando, durante a vida toda, competições muito difíceis. É o que existe em maior escala no judô brasileiro e em todas as modalidades nas grandes potências esportivas.

     Nestas grandes potências não é feito o investimento somente nos melhores atletas, naqueles que tem chance de chegar na próxima olimpíada. Nestes países há uma estrutura mais ampla de esporte, com competições nos níveis municipais, regionais, estaduais, em diferentes categorias. Muita gente jogando em vários níveis. E aí tudo cresce: o nível técnico, a confiança e a tradição.


Texto de Ana Moser

Fonte: Blog da Ana Moser

2 comentários:

Palavras disse...

Excelente texto da Ana Moser.
Parabéns pela escolha.

Abraços

Leila

♥♥♥Ani♥♥♥ disse...

Hoje estou aqui especialmente pra deixar um beijo e desejar que seu dia seja maravilhoso e cheio de realizações.

Ani


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