Carnaval

E cá estou eu no Carnaval dos tempos antigos. Sigo no Bloco dos Aflitos, um cordão carnavalesco que percorre as ruas da histórica cidade de Pirenópolis, interior de Goiás, com uma banda arrastando a multidão.

Essa história de ficar em casa no Carnaval, vendo desfile de escola de samba na televisão ou gente se divertindo em salões por aí, nunca foi comigo. Gosto mesmo é da folia, de saltar ao som das mesmas músicas de todos os anos. Eu acho que até sei a sequência que os músicos tocarão.

E lá vamos nós pelas ruas apertadas da cidade histórica, corredor de velhos casarões coloniais, à luz amareladas das candeias. Das janelas pessoas acenam beijos e palmas, jogam confetes e serpentinas. Cá na multidão somos todos conhecidos entre os Aflitos. Quem inventou esse nome disgrameira? Não sei com certeza. Tenho que pesquisar para saber. Mas por certo era alguém desesperado para cair na folia.

Todos cantam e dançam, esquecidos dos problemas do dia a dia, dos escândalos na política, da crise econômica, das pendências financeiras no banco. Afinal, hoje é Carnaval e logo mais chega a Quaresma e tudo se torna cinzas. Quarta-feira de Cinzas, dia de ressaca, de computar as despesas, de voltar para a rotina de sempre. 

Mas não agora, que hoje é Carnaval! Vamos abrir outra latinha de cerveja?

Adriano Curado


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