Susto no avião

Levei um susto imenso semana passada, quando o avião em que viajava vez um pouso de emergência numa plantação de milho. Estávamos indo para a fazenda de um amigo meu, que me convidou para conhecer sua terra no Mato Grosso. Saímos do aeroporto de Goiânia em seu jatinho particular e tudo estava bem tranquilo, conversávamos descontraídos e eu até ousei recitar um poema meu. 

Ocorre que, de repente, é sempre assim, o jato balançou as duas asas, lançou ao chão os que estavam em pé, fez tombar copos e garrafas. Como tenho medo de avião, fiquei intacto porque me encontrava bem afivelado no cinto de segurança. Depois disso o piloto mandou que todos se sentassem e apertassem o cinto mas não explicou o motivo. É que ele também não sabia. Depois disso, a paz do voo acabou. Todo mundo ali sentado com os olhos esbugalhados e a atenção em possíveis alterações no barulho das turbinas.

O novo som da voz do piloto foi ouvida em absoluto silêncio de nossa parte. Ele explicou que, embora não percebêssemos, o avião perdia altura rapidamente, e como estávamos distantes de qualquer aeroporto, tentaria pousar onde desse. Confesso que não foi muito agradável ouvi-lo falar desse jeito. Pousar "onde desse" soou como um última tentava de nos salvar. O piloto se aproximou de uma fazenda e, ao ver ali um milharal, não exitou em baixar o nariz do avião e aterrizar ali mesmo, sem conhecer o terreno. Já pensou se houvesse ali um trator?


Descemos rapidamente por medo de fogo, mas não ocorreu incêndio. Fiquei com o corpo todo dolorido, porém não me machuquei. Uma amiga nossa quebrou o nariz e o dono do avião cortou a boca. Nada de muito sério. O fazendeiro dono do milharal nos deu socorro em sua casa e ali ficamos até chegar o resgate. Mais tarde a perícia descobriu que uma ave foi sugada por uma das turbinas e isso provocou o pouso forçado.

Depois que escapamos de algo assim, a vida tem outro valor e sabor. Passei a dar menos importância a fatos e acontecimentos pequenos e a não delegar poderes para que outros me atinjam. É a sabedoria que a vida nos dá, algo como fazer do limão uma limonada.

Adriano Curado

Nenhum comentário: