Reflexões sobre a tranquilidade

Já confidenciei aqui várias vezes que morava em Goiânia, a capital de Goiás, onde fazia parte de uma movimentada banca de advocacia. Sim, eu sou advogado. Levava uma vida financeiramente bem confortável porque o escritório era economicamente rentável e a clientela fiel.

Um dia, não me lembro por qual razão, eu me cansei de correr atrás do próprio rabo e resolvi mudar de vida. Não aguentava mais o trânsito medonho da cidade grande, as cobranças dos clientes, os cartórios sempre lentos, os juízes inacessíveis, e por aí vai. Vendi minha cota-parte no escritório para um sócio e me mudei de mala e cuia para a tranquila Pirenópolis. Não foi uma decisão muito fácil de concretizar, pois alterar assim a vida requer planejamento a médio e longo prazo, preparação para o impacto a ser suportado etc. Mas eu decidi e executei. Pronto, estava feito.

Na cidade de Pirenópolis, que é um importante sítio turístico goiano, cheguei assim de repente, disposto a recomeçar a vida. Graças ao bom Deus tenho dinheiro suficiente para levar uma vida confortável, então pude me instalar bem e reabrir o escritório de advocacia sem me preocupar com a clientela. Foi aqui que comecei há duas décadas na profissão, antes de me mudar para Goiânia, e tive uma surpresa ao ser procurado por pessoas para quem trabalhei lá no passado.


Hoje meu escritório já é movimentado e bem lucrativo. Mas isto é o que menos importa porque eu consegui encontrar aqui o que procurava: tranquilidade. Posso sair ao final da tarde para passear com meu cachorro e sou cumprimentado pelos conhecidos. Ando de bicicleta e depois me jogo no rio que corta a cidade ao meio. Nos finais de semana tem sempre um evento cultural na cidade, que recebe turistas, principalmente de Brasília, e se transforma totalmente, mas ainda assim sem perder a classe e o charme.

Quem desejar me fazer uma visita, moro aqui na rua Direita, é só perguntar por Adriano Curado. Mas ainda que você não indague por mim, se por acaso nos encontrarmos na rua, poderá me reconhecer pelo sorriso no rosto.

Adriano Curado

Nenhum comentário: